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Focar mais os valores na educação

Avançamos mais lentamente na educação do que em outras áreas da nossa sociedade. A maior parte das instituições na educação presencial e a distância, apesar de algumas melhorias, prefere repetir do que arriscar. Os currículos são excessivamente rígidos e reducionistas, com disciplinas isoladas e baixa interação. O foco ainda se mantém na transmissão de informações, em preparar os alunos para o vestibular ou para uma profissão, sem a preocupação com a formação integral deles como pessoas, com uma discussão ampla sobre valores, atitudes e comportamentos. Na educação “a” distância este problema é mais gritante. Como a produção costuma ser mais em equipe, o especialista prepara os materiais sobre os temas do curso, e outros profissionais adéquam esses temas a um padrão de leitura e acessibilidade; depois tutores orientam os alunos nas dúvidas e os alunos são avaliados sobre o conteúdo transmitido. Como o processo costuma ser mais impessoal, a avaliação é ...

Aprendendo a envelhecer

A velhice é a nossa etapa da vida mais desafiadora. Apesar de conseguimos hoje viver muito mais anos que nossos avôs, aos poucos percebemos o progressivo avanço do declínio físico, às vezes também do mental e é inevitável o questionamento sobre como encarar esta longa fase de maturidade, de ricas vivências entrelaçadas com a frequente percepção da lenta aproximação do fim. Como encontrar motivação para viver, quando tudo parece que conspira contra a vida? Vale a pena continuar aprendendo e evoluindo? Faz sentido fazer planos para um amanhã tão incerto? Não seria melhor resignar-se, perder a esperança e entregar os pontos?. Quando mais jovens, sabemos da fragilidade da vida, conhecemos algumas perdas, mas predomina a sensação de que ainda falta muito tempo e que é um asunto que pode ser deixado para o futuro. Quando mais maduros, mesmo na expectativa de vida mais longa, a questão se coloca de forma cada vez mais perceptível. Driblamos a morte parcialmente, a esquecemos momentane...

Construindo uma vida mais plena

O grande projeto da nossa vida é conseguir ampliar progressivamente nossa visão, conhecimento, emoções e valores, construindo um percurso cada vez mais equilibrado, estimulante, libertador e realizador em todos os campos e atividades. Pela educação podemos avançar no nosso desenvolvimento, aprendendo a perceber mais longe, com mais profundidade e de forma mais abrangente, dentro e fora de nós. Quando mantemos o foco no desenvolvimento pessoal integral, de forma constante e consciente, conseguimos realizar melhores escolhas em todos os campos e também revê-las, quando se mostram inadequadas ou superadas. De um lado continuamos abertos a novas mensagens, pessoas, atividades. De outro, filtramos o que percebemos como mais conveniente em cada momento, que interações são mais significativas, que ações nos ajudam a evoluir más. É um processo delicado e contraditório, riquíssimo, de observação atenta interna e externa, de escolhas possíveis em cada etapa e campo de atuação, de revis...

Relacionamentos complicados e os que valem a pena

É comum ver os relacionamentos rompidos como fracasso. Mas podem transformar-se, com um pouco de atenção, em etapas muito ricas de aprendizagem afetiva. Um relacionamento frustrante pode servir de aprendizagem para outro mais pleno. Quando muito jovens, não estamos, em geral, prontos para conviver longamente com o outro. Confundimos paixão com amor, nos complicamos por situações insignificantes. Ainda estamos em construção em todos os campos, principalmente no emocional. “Muitas separações são fruto da preguiça”, afirma Contardo Calligaris. Muitos casais não cuidam dos detalhes, superdimensionam os problemas, não cedem o suficiente para chegar a acordos de vida satisfatórios; se agridem e magoam com facilidade. Muitos passam a vida em relacionamentos complicados. Tentam sair, mas com muita dificuldade. É possível viver relacionamentos acomodados, sem vida, indefinidamente. Não é fácil se separar, principalmente com filhos e os de gerações mais antigas. Há muitas perdas econômic...

A consciência de uma vida muito mais longa

A consciência é um privilégio e também um tormento. Privilégio, porque nos permite a compreensão do que somos, para onde vamos, do nosso entorno e do futuro próximo e distante. Mas também é um tormento, porque nos torna insaciáveis em todos os campos. Nada nos é suficiente, nada nos contenta, nada nos detém. Tudo é pouco. Como a vida é curta e queremos viver sempre , buscamos desesperadamente formas de sobreviver.  A imaginação é uma poderosa ferramenta, fruto da consciência, que nos projeta em mundos próximos e distantes, possíveis e fantásticos e estimula inúmeras realizações tidas como impossíveis. O imaginário nos possibilita superar as limitações do cotidiano, ilumina novas possibilidades, amplia nossos horizontes.   O desejo de ser imortal estimula nossa imaginação, nossa fé no futuro, a busca de sentido para uma  vida tão curta, que se nos escapa das mãos. Desde os tempos remotos a humanidade procura atalhos para a imortalidade. Durante milênios, a imorta...

Pessoas confiáveis e coerentes

Quando somos jovens tendemos a acreditar muito mais nos outros. Estamos mais abertos a conhecer novas pessoas, confiamos mais no que dizem, somos mais transparentes. Com o passar do tempo, após decepções e algumas traições, procuramos ser mais seletivos com as amizades, nos protegemos mais, desconfiamos mais. Diante da competição profissional feroz, da complexidade da vida social é fácil cair na tentação de ficar na defensiva, de esconder nossos sentimentos, de polir nossa imagem, de desenvolver uma personalidade social que não corresponde exatamente ao que somos e pensamos. Muitos se escondem atrás de máscaras, de papéis representados, de encenações adaptadas para os diversos ambientes em que se movem. O que começa como uma atitude de defesa pode virar um hábito e uma segunda pele. Podem perder a noção de quanto estão representando e considerar natural essa forma de adaptação permanente aos diversos ambientes, situações e pessoas. A conseqüência principal é o ocultamento do v...

Encontrar tempo para estar com as pessoas

No mundo de tantas redes, grupos virtuais e tecnologias móveis, cada vez nos ocupamos mais para poder atender às inúmeras solicitações, digitais e presenciais, que nos chegam em ritmo feérico e sentimos dificuldade em gerenciar o que é mais importante, prestar atenção ao que é mais relevante, equilibrando a comunicação externa com a interna, a virtual com a presencial. Recebemos tantas mensagens a todo momento, que é fácil descuidar o atendimento pessoal de verdade, não achando tempo para estarmos juntos, olho-no-olho, acolhendo, escutando, conversando com quem vem ao nosso encontro ou está ao nosso lado. As pessoas andam ocupadas demais, solicitadas demais e se esquecem de cumprimentar, de dar a atenção devida a quem está perto. Vemos com frequência pessoas que atendem várias chamadas ou checam suas mensagens, no meio de conversas pessoais, deixando o parceiro sem atenção durante longos períodos. Estamos ocupados demais, falando demais, dispersos demais e escutando de m...