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O que aprendi no longo período de recuperação

  José Moran Nos últimos meses fiquei em casa, cuidando da saúde: cirurgia, incertezas, muitos exercícios, fisioterapia, melhoria lenta, muita paciência. Tive tempo para desligar da rotina, refletir sobre a vida, avançar no autoconhecimento, permitir-me mais lazer, deixar a vida fluir mais, sem tantas cobranças e exigências. Depender em todo momento da ajuda dos demais é difícil para quem sempre procurou ser autônomo. Sou muito grato aos diferentes profissionais que me ajudaram neste percurso, aos familiares que me apoiaram. Dependemos de muitas pessoas, grupos, organizações, em todos os campos para que tudo caminhe bem. Sabemos que há falhas e contradições, mas somos interdependentes, tanto no que nos ajuda a evoluir como o que nos complica. A vida é assustadoramente frágil. Tudo pode desandar de uma hora para outra. Experimentei muitos momentos de incerteza, de angústia, de medo de ficar com sequelas. Antes me achava mais forte, corajoso, equilibrado. Pensei que estivesse mai...

A arte de viver com leveza

  José Moran Professor e pesquisador de projetos educacionais inovadores. Autor do blog Educação Transformadora   Viver com leveza é uma arte e uma aprendizagem, especialmente neste período tão pesado e tenso. Convivo com pessoas leves, de trato fácil e com outras, bem complicadas; com pessoas otimistas e outras pessimistas; com as que irradiam alegria e as que exalam tragédias. Posso escolher viver em ambientes físicos e digitais de confiança, abertos ou permanecer em ambientes tóxicos e destrutivos. Posso escolher viver e tentar ser coerente entre o que penso e realizo ou mostrar-me de forma distorcida, retocada, maquiada para ser mais aceito ou ter mais seguidores. As escolhas que realizo tornam o caminho mais leve ou complicado, mais aberto ou fechado, mais transformador ou destrutivo. Minhas atitudes e escolhas condicionarão os resultados. Admiro pessoas bem resolvidas, que facilitam a convivência, minimizam as tensões e buscam os consensos possíveis. Procuro orient...

Encontro Histórico: José Moran e Fredric Litto falam sobre o NACE - Esco...

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Aprendendo a desacelerar

José Moran Professor da USP e pesquisador de Metodologias ativas e de processos de transformação da Educação Blog Educação Transformadora Às vezes a vida nos obriga a quebrar nossa rotina, a contragosto (uma doença inesperada, por exemplo).   É uma chance de ouro para refletir, aprender e mudar. Aguentamos pressões insuportáveis para conseguir dar conta de inúmeros desafios em todos os campos: Pressões para sermos bem-sucedidos profissional, financeira e afetivamente. Pressões para competir, manter-nos atualizados, sermos os melhores. Se tantos conseguem o sucesso, por que nós, não? Estamos educando crianças e jovens para que sejam bem-sucedidos e empreendedores, com uma sobrecarga enorme de tarefas, responsabilidades, atividades sempre em nome de prepará-los para um futuro imprevisível, para um mundo do trabalho que será muito diferente. Nossas palavras chave são “desafios”, “inovação”, “superação”, “criatividade”, “transformação”. Sem dúvida são impor...

Mensagem aos professores inquietos

Educador e pesquisador de projetos de inovação www2.eca.usp.br/moran Converso com professores inquietos, curiosos, que se sentem sozinhos, com pouco apoio, no meio de estruturas burocráticas, convivendo com colegas acomodados e críticos; professores que procuram tornar suas aulas mais interessantes, atraentes, ativas para os alunos. E o fazem – muitas vezes -  com infraestrutura falha e pouco reconhecimento. Sentem-se, com frequência, sozinhos e perguntam: Vale a pena persistir?  Para que continuar? Não é melhor “tocar o barco”, dar uma aula básica e deixar de inventar moda?. Sem dúvida dá mais trabalho planejar aulas com metodologias ativas do que da forma convencional. Vivi essa situação e o dilema de acomodar-me ou tentar algo diferente em uma etapa intermediária da minha vida. Estava insatisfeito com as aulas, com os alunos, comigo mesmo. Fiquei na dúvida de se valia a pena continuar ou desistir. Decidi mudar a forma de ensinar, tentar conversar mais com os ...

Por que avançamos tão devagar na Educação?

José Moran Educador e pesquisador de projetos de inovação www2.eca.usp.br/moran Há uma pressão enorme por mudanças na educação em todos os níveis. Estamos de acordo em que precisamos ensinar e aprender de forma mais criativa, personalizada, por experimentação e design. Encontramos algumas escolas e universidade diferenciadas, com propostas pedagógicas muito interessantes. Mas a maioria vai mais devagar do que desejaria. Por que temos tantas dificuldades em transformar a educação? Há condições estruturais que dificultam a mudança e que são essenciais para uma transformação mais consistente, sistemática na educação do pais: não conseguimos atrair com os baixos salários e valorização profissional os melhores gestores e docentes possíveis. Nossas políticas públicas não têm continuidade e consistência, excesso de burocracia, visão mercantilista em diversos grupos privados, cultura tradicional de boa parte da sociedade, incluindo os alunos. São inúmeros os fatores que explic...

Como transformar nossas escolas

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Novas formas de ensinar a alunos sempre conectados José Moran* Pagamos um alto preço social pela educação deficiente Pagamos um preço muito alto como sociedade por uma educação deficiente: milhões de pessoas não desenvolvem suas competências básicas, sua autonomia, vivem vidas pouco produtivas e realizadoras. A educação demorou a chegar aos mais pobres e ainda é frágil para a maioria nas questões mais importantes: poucos sabem interpretar textos complexos, fazer contas, pensar pela pr cabeça, ir além do que veem na televisão. Temos uma dívida social de séculos de pouca preocupação com a aprendizagem de qualidade da maior parte da população. A educação de qualidade, além de ensinar a pensar, pode ensinar a viver. Em muitos casos, a escola não está conseguindo ajudar a pensar críti- * Doutor em Comunicação pela USP, professor de Novas Tecnologias na mesma universidade e um dos fundadores do Projeto Escola do Futuro. É mentor de cursos e projetos híbridos e online...