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“Escolas interessantes começam com gestores acolhedores”, afirma José Moran

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  Professor, escritor e pesquisador de projetos educacionais inovadores,  J osé Moran, a utor do   blog Educação Transformadora ,  conversou  com o  Escolas Exponenciais . Durante a entrevista, o educador falou sobre educação do futuro, metodologias ativas e sobre como melhor preparar a equipe pedagógica diante das transformações na educação. “Escolas interessantes começam com gestores acolhedores, que lideram pelo exemplo, que apoiam docentes, estudantes e famílias” , adiantou o professor.   Escolas Exponenciais: Muito se vem falando atualmente sobre educação do futuro. Para o senhor, quais as principais tendências neste segmento? José Moran:  Há mais de 30 anos participei da criação do  projeto escola do futuro na USP . E os especialistas internacionais nos profetizavam que a escola estaria profundamente transformada em 10 ou 15 anos e que cada aluno poderia aprender a partir dos seus interesses, em qualquer lugar,  a qualquer hora e d...

Entrevista: Como a inovação acontece nos grandes grupos educacionais? | Rafael Ávila

Gostei muito de entrevistar o Rafael Avila, um exemplo de jovem professor que está sempre inquieto, renovando-se como docente, gestor e como pessoa. Investir no desenvolvimento das pessoas, no sentido mais amplo é a base para conseguirmos inovar de forma mais profunda e sistêmica. Abraços. Moran. https://www.cuboz.com/educatalks/articles/entrevista-como-a-inovacao-acontece-nos-grandes-grupos-educacionais-rafael-vila-c3ISBEZT

Mensagem aos professores inquietos

Educador e pesquisador de projetos de inovação www2.eca.usp.br/moran Converso com professores inquietos, curiosos, que se sentem sozinhos, com pouco apoio, no meio de estruturas burocráticas, convivendo com colegas acomodados e críticos; professores que procuram tornar suas aulas mais interessantes, atraentes, ativas para os alunos. E o fazem – muitas vezes -  com infraestrutura falha e pouco reconhecimento. Sentem-se, com frequência, sozinhos e perguntam: Vale a pena persistir?  Para que continuar? Não é melhor “tocar o barco”, dar uma aula básica e deixar de inventar moda?. Sem dúvida dá mais trabalho planejar aulas com metodologias ativas do que da forma convencional. Vivi essa situação e o dilema de acomodar-me ou tentar algo diferente em uma etapa intermediária da minha vida. Estava insatisfeito com as aulas, com os alunos, comigo mesmo. Fiquei na dúvida de se valia a pena continuar ou desistir. Decidi mudar a forma de ensinar, tentar conversar mais com os ...

Por que avançamos tão devagar na Educação?

José Moran Educador e pesquisador de projetos de inovação www2.eca.usp.br/moran Há uma pressão enorme por mudanças na educação em todos os níveis. Estamos de acordo em que precisamos ensinar e aprender de forma mais criativa, personalizada, por experimentação e design. Encontramos algumas escolas e universidade diferenciadas, com propostas pedagógicas muito interessantes. Mas a maioria vai mais devagar do que desejaria. Por que temos tantas dificuldades em transformar a educação? Há condições estruturais que dificultam a mudança e que são essenciais para uma transformação mais consistente, sistemática na educação do pais: não conseguimos atrair com os baixos salários e valorização profissional os melhores gestores e docentes possíveis. Nossas políticas públicas não têm continuidade e consistência, excesso de burocracia, visão mercantilista em diversos grupos privados, cultura tradicional de boa parte da sociedade, incluindo os alunos. São inúmeros os fatores que explic...

Por onde começar a transformar nossas Escolas?

A discussão hoje não é por que mudar, mas como fazê-lo. Os exemplos de Escolas, Faculdades e Universidades inovadoras são importantes porque sinalizam uma tendência irreversível, a de que todas passarão por esse processo de transformação, de forma mais rápida ou lenta, mas ineludível. Só que esses exemplos são muito distantes da realidade da maioria. Muitas escolas inovadoras são pequenas (menos de duzentos alunos), com um custo alto para poder ser bancado pela maior parte dos pais ou pela sociedade, através de impostos. Mudar a cultura de escolas convencionais não é simples. Escolas tendem a repetir modelos conhecidos, diante do risco de perda da identidade e do mercado já consolidado. Em todas as escolas encontramos docentes com propostas diferenciadas, que envolvem mais os alunos, mas costumam ser propostas isoladas, que não afetam a estrutura como um todo, mais pesada e lenta. Como passar do espontaneísmo à transformação institucionalizada? As escolas que avançam mai...

Transformando as pessoas, para transformar as Escolas

Ensinamos até onde conseguimos aprender. Quando metade dos alunos de ensino médio se evade e não termina o curso, a responsabilidade não é só deles, é de todos nós. Com certeza não estamos oferecendo um projeto pedagógico atraente, não estamos próximos dos alunos, insistimos em modelos autoritários, desconectados com a vida dos estudantes e continuamos ensinando como se tudo estivesse normal. O lema das nossas escolas deveria ser “Nenhum aluno para trás”. O fracasso de tantos alunos, que ficam pelo caminho, é um fracasso coletivo de toda a sociedade. Alunos reprovados, escolas reprovadas. A educação, além das causas estruturais, avança de acordo com o nível de desenvolvimento dos gestores, educadores, pais e da sociedade como um todo. Uma sociedade profundamente imperfeita e desigual tem, como consequência, um sistema educacional imperfeito e desigual. Há um jogo de empurra entre todos. “O problema é o sistema, o Governo”, “são os outros” “eu faço a minha parte”. Há algo profu...

Pagamos um alto preço social pela educação deficiente

Pagamos um preço muito alto como sociedade por uma educação deficiente: milhões de pessoas não desenvolvem suas competências básicas, sua autonomia, vivem vidas pouco produtivas e realizadoras. A educação demorou a chegar aos mais pobres e ainda é frágil para a maioria nas questões mais importantes: muitos sabem interpretar textos complexos, fazer contas, pensar pela sua cabeça, ir além do que veem na televisão. Temos uma dívida social de séculos de pouca preocupação com a aprendizagem de qualidade da maior parte da população. A educação de qualidade, além de ensinar a pensar, também pode ensinar a viver. Em muitos casos, a escola não está conseguindo ajudar a pensar crítica e autonomamente; muito menos, a preparar pessoas criativas, empreendedoras e livres. Ela precisa mudar para encantar e abrir os horizontes de crianças e jovens, cada vez mais entusiasmados. É um trabalho complexo, demorado num país imenso. É urgente mudar nosso modelo de ensino muito focado em conteúdos pr...

Autonomia e colaboração em um mundo digital

A aprendizagem acontece no movimento fluido, constante e intenso entre a comunicação grupal e a pessoal, entre a colaboração com pessoas motivadas e o diálogo de cada pessoa consigo mesma. A comunicação pessoal e a grupal são componentes interligados e inseparáveis no processo de aprender continuamente, mais profundamente num mundo cada vez mais complexo e imprevisível. A sociedade é cada vez mais dinâmica e as interconexões também. Tudo está interligado, aprendemos continuamente uns com os outros, juntos fisicamente ou conectados, com diferentes grupos com os que nos relacionamos. A aprendizagem contínua, ao longo da vida e em múltiplos grupos e redes – físicas e digitais – é uma das características marcantes da atualidade.  As múltiplas formas de colaboração, hoje, entre pessoas próximas e conectadas, com dispositivos móveis, possibilita a aceleração da aprendizagem individual, grupal e social, pelas múltiplas articulações, interligações, desdobramentos, em todos os campos, ...