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O que aprendi no longo período de recuperação

  José Moran Nos últimos meses fiquei em casa, cuidando da saúde: cirurgia, incertezas, muitos exercícios, fisioterapia, melhoria lenta, muita paciência. Tive tempo para desligar da rotina, refletir sobre a vida, avançar no autoconhecimento, permitir-me mais lazer, deixar a vida fluir mais, sem tantas cobranças e exigências. Depender em todo momento da ajuda dos demais é difícil para quem sempre procurou ser autônomo. Sou muito grato aos diferentes profissionais que me ajudaram neste percurso, aos familiares que me apoiaram. Dependemos de muitas pessoas, grupos, organizações, em todos os campos para que tudo caminhe bem. Sabemos que há falhas e contradições, mas somos interdependentes, tanto no que nos ajuda a evoluir como o que nos complica. A vida é assustadoramente frágil. Tudo pode desandar de uma hora para outra. Experimentei muitos momentos de incerteza, de angústia, de medo de ficar com sequelas. Antes me achava mais forte, corajoso, equilibrado. Pensei que estivesse mai...

Vídeo-entrevista "Reinventando o ensinar e a aprender hoje"

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Compartilho com vocês o vídeo sobre o tema "Reinventando o ensinar e a aprender hoje". Uma conversa descontraída e bem atual da Betina Staa comigo. Abraço. José Moran.

Questionar para aprender

José Moran Educador e pesquisador de projetos de transformação das Pessoas, Escolas e Universidades www2.eca.usp.br/moran moran10@gmail.com Para aprender de verdade precisamos permitir-nos fazer perguntas desafiadoras, buscar respostas incompletas, rever sínteses consolidadas, aprender com os erros e ir refazendo continuamente nossas perguntas. Cada pessoa pode ser cada vez mais criativa, empreendedora, realizadora. Por que a maioria não chega lá? Muitos tivemos uma educação familiar e escolar que nos ensinou a obedecer, a repetir, a não questionar. Se temos modelos conformistas tendemos a copiá-los, a espelhar-nos neles. Muitas pessoas aprendem pouco, o básico: vivem no piloto automático, repetindo os mesmos gestos e rotinas, distraídos nas redes sociais, sem tempo para rever, questionar-se, meditar. Isso dificulta uma percepção mais profunda, uma reavaliação mais objetiva e tomadas de decisão adequadas. Quem vive em ambientes mais fechados, com visões de m...

Por que avançamos tão devagar na Educação?

José Moran Educador e pesquisador de projetos de inovação www2.eca.usp.br/moran Há uma pressão enorme por mudanças na educação em todos os níveis. Estamos de acordo em que precisamos ensinar e aprender de forma mais criativa, personalizada, por experimentação e design. Encontramos algumas escolas e universidade diferenciadas, com propostas pedagógicas muito interessantes. Mas a maioria vai mais devagar do que desejaria. Por que temos tantas dificuldades em transformar a educação? Há condições estruturais que dificultam a mudança e que são essenciais para uma transformação mais consistente, sistemática na educação do pais: não conseguimos atrair com os baixos salários e valorização profissional os melhores gestores e docentes possíveis. Nossas políticas públicas não têm continuidade e consistência, excesso de burocracia, visão mercantilista em diversos grupos privados, cultura tradicional de boa parte da sociedade, incluindo os alunos. São inúmeros os fatores que explic...

A mentira e o cinismo desestruturam nossa sociedade

Assistimos diariamente a espetáculos deprimentes de cinismo de boa parte dos nossos políticos, governantes, empresários e outros segmentos sociais. Quando pegos em gravações e mentiras, sempre negam. Nenhum deles assume qualquer erro, deslize ou desvio. Todos se confessam inocentes e injustiçados. É uma agressão à nossa inteligência, uma bofetada na cara da maioria, de que procura viver a vida com coerência e respeito às leis. As relações de convivência se baseiam na confiança, em acreditar que o que nos dizem é coerente e válido. A mentira sistemática é uma prática desintegradora social. Sem confiança, tudo se transforma em um jogo de faz de conta, de suspeitas, de incertezas. Num clima de desconfiança fingimos que acreditamos, mas não nos engajamos realmente nem construímos projetos importantes juntos. A cultura da complacência com a “mentira”, com não assumir práticas honestas em tudo traz consequências profundas para a evolução pessoal e social; nos atrasa em todos os ...

Por onde começar a transformar nossas Escolas?

A discussão hoje não é por que mudar, mas como fazê-lo. Os exemplos de Escolas, Faculdades e Universidades inovadoras são importantes porque sinalizam uma tendência irreversível, a de que todas passarão por esse processo de transformação, de forma mais rápida ou lenta, mas ineludível. Só que esses exemplos são muito distantes da realidade da maioria. Muitas escolas inovadoras são pequenas (menos de duzentos alunos), com um custo alto para poder ser bancado pela maior parte dos pais ou pela sociedade, através de impostos. Mudar a cultura de escolas convencionais não é simples. Escolas tendem a repetir modelos conhecidos, diante do risco de perda da identidade e do mercado já consolidado. Em todas as escolas encontramos docentes com propostas diferenciadas, que envolvem mais os alunos, mas costumam ser propostas isoladas, que não afetam a estrutura como um todo, mais pesada e lenta. Como passar do espontaneísmo à transformação institucionalizada? As escolas que avançam mai...

Transformando as pessoas, para transformar as Escolas

Ensinamos até onde conseguimos aprender. Quando metade dos alunos de ensino médio se evade e não termina o curso, a responsabilidade não é só deles, é de todos nós. Com certeza não estamos oferecendo um projeto pedagógico atraente, não estamos próximos dos alunos, insistimos em modelos autoritários, desconectados com a vida dos estudantes e continuamos ensinando como se tudo estivesse normal. O lema das nossas escolas deveria ser “Nenhum aluno para trás”. O fracasso de tantos alunos, que ficam pelo caminho, é um fracasso coletivo de toda a sociedade. Alunos reprovados, escolas reprovadas. A educação, além das causas estruturais, avança de acordo com o nível de desenvolvimento dos gestores, educadores, pais e da sociedade como um todo. Uma sociedade profundamente imperfeita e desigual tem, como consequência, um sistema educacional imperfeito e desigual. Há um jogo de empurra entre todos. “O problema é o sistema, o Governo”, “são os outros” “eu faço a minha parte”. Há algo profu...

Fazer nossas revoluções possíveis: Aprendendo por experimentação

Como tudo muda aceleradamente, somos cobrados para obter melhores resultados, conseguir metas, inovar sempre. Há uma pressão social constante para sermos mais criativos, empreendedores, excelentes profissionais. A vida combina rotina e mudança. A maior parte de nossa vida é repetição. A repetição nos ajuda a economizar energia, a ter roteiros previsíveis e confortáveis em todos os campos, a sentir-nos seguros. O predomínio da rotina, com o tempo, tende a que nos acomodemos numa zona de conforto e que percamos a ousadia de ir além do básico e de desenvolver muitas das nossas possibilidades. A vida se equilibra entre padrões e mudanças, entre previsibilidade e transformação. Para enfrentar os desafios de crescer, progredir, avançar em todas as dimensões, precisamos combinar bem rotina e experimentação. Sair da rotina, do previsível, nos liberta. Quando nos permitimos experimentar, aprendemos mais, abrimos novos horizontes. Se gostamos de aprender e perseveramos, evoluiremos ma...

Pagamos um alto preço social pela educação deficiente

Pagamos um preço muito alto como sociedade por uma educação deficiente: milhões de pessoas não desenvolvem suas competências básicas, sua autonomia, vivem vidas pouco produtivas e realizadoras. A educação demorou a chegar aos mais pobres e ainda é frágil para a maioria nas questões mais importantes: muitos sabem interpretar textos complexos, fazer contas, pensar pela sua cabeça, ir além do que veem na televisão. Temos uma dívida social de séculos de pouca preocupação com a aprendizagem de qualidade da maior parte da população. A educação de qualidade, além de ensinar a pensar, também pode ensinar a viver. Em muitos casos, a escola não está conseguindo ajudar a pensar crítica e autonomamente; muito menos, a preparar pessoas criativas, empreendedoras e livres. Ela precisa mudar para encantar e abrir os horizontes de crianças e jovens, cada vez mais entusiasmados. É um trabalho complexo, demorado num país imenso. É urgente mudar nosso modelo de ensino muito focado em conteúdos pr...

Metodologias ativas, para realizar transformações progressivas e profundas no currículo

As metodologias ativas são caminhos para avançar para um currículo mais flexível, mais centrado no aluno, nas suas necessidades e expectativas. Escolas e universidades realizam essas mudanças de forma progressiva (gradualmente), simultânea (mudanças setoriais avançadas) ou mais profundas (projetos mais amplos de inovação). É um processo longo e complexo, mas inevitável. As organizações educacionais que nos mostram novos caminhos estão experimentando currículos mais flexíveis, mais centrados em que os alunos aprendam a integrar conhecimentos amplos, valores, projeto de vida através de problemas reais, desafios relevantes, jogos, atividades e leituras individuais e em grupo; presenciais e digitais.  A maior parte das escolas e universidades quer mudar, mas está presa na cultura disciplinar transmissiva e paternalista. Como fazer essas transformações, na prática? Não há uma resposta única, mas alguns caminhos fazem mais sentido, dependendo de cada instituição, das condições em que...