quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Diferenciais de uma nova escola

Uma escola é nova quando tem educadores, materiais, atividades e ambientes de aprendizagem - físicos e virtuais - acolhedores, estimulantes e desafiadores para os alunos.

Profissionais acolhedores: diretores, coordenadores, professores que se preocupam com os alunos, que os conhecem, conversam, interagem. Uma escola é nova quando mantém a mesma equipe unida por bastantes anos, quando se percebe que todos se apóiam e há uma gestão democrática, proativa e empreendedora. Profissionais bem preparados, atualizados, evoluídos. Bem remunerados, escolhidos entre os melhores e que gostam de ser educadores.
Ambientes acolhedores: aconchegantes, afetivos, equipados. Salas de aula multifuncionais, que se modificam rapidamente para diferentes atividades. Salas de aula conectadas com tecnologias móveis. Escola que equilibra atividades presenciais e virtuais, tecnologias simples e tecnologias digitais, onde se aprende também em casa, no bairro, nas comunidades de prática, nas redes sociais, com ativa participação dos pais.

 Uma escola onde os materiais principais estão disponíveis no ambiente digital e são apreendidos de múltiplas formas, com técnicas diferentes, atrativas, simples e complexas. Escola que estimula múltiplas leituras de múltiplos textos de múltiplas formas: impressos, digitais, multimídia; simples e complexos; com histórias e conceitos; multitextos significativos contextualizados, compartilhados, reinterpretados, co-produzidos presencial e digitalmente, publicados, vivenciados. 
 
 Conteúdos articulados a muitos desafios, projetos inovadores, com muita ênfase em pesquisa, compartilhamento, discussão, produção, sínteses, práticas refletidas, colaborativas, com flexibilidade de espaços e tempos, de momentos presenciais e virtuais, com atividades grupais e individuais, com bastante feedback, atenção, cuidado.

 Uma escola que integra o melhor do presencial e do virtual, que trabalha primeiro as atividades através de ambientes e aplicativos digitais e que aprofunda e finaliza cada assunto mais importante na sala de aula, com os professores-orientadores.

 Uma escola em que as aulas com tablets, netbooks e smartphones são focadas, além de temas relevantes, em projetos colaborativos, onde os alunos aprendem juntos, realizam atividades em ritmos e tempos diferentes. Os professores descem do pedestal e desempenham fundamentalmente o papel de orientadores. Saem do centro, do estrado, da lousa para circular, orientando os alunos individualmente e em pequenos grupos nas atividades de pesquisa, análise, apresentação, contextualização e síntese, de forma semi-presencial.

 Uma escola pluralista num mundo complexo, que mostra visões, formas de viver e diferentes possibilidades de realização pessoal, profissional e social, que nos ajudem a evoluir sempre mais na compreensão, vivência e prática cognitiva, emotiva, ética e de liberdade.
 Essa nova escola ainda está em construção, mas é urgente nosso envolvimento em concretizá-la, para conseguir atrair as crianças e os jovens, que até agora só conheceram, na educação formal, modelos analógicos, anacrônicos e envelhecidos.

9 comentários:

Leila Cristina disse...

Viajei nas suas palavras e visualizei essa escola, de repente! Lembrei da realidade das escolas, dos meus alunos, da família deles, da direção, coordenação, dos professores 'reais' e fiquei a me perguntar, será que realmente todos querem essa escola? Estamos prontos para exercer nossa cidadania autônoma? Espero que o que descreve aqui se torne realidade e que eu possa experienciar aqui em Salvador. Abraços
Adorei seu texto!
Leila Cristina

Moran disse...

Cara Leila:
Essa escola existe parcialmente aqui e lá. É um projeto utópico, que sinaliza caminhos de mudança, que dependem de cada um de nós. Quero contribuir com o meu conhecimento e ação para essa construção de uma nova escola.
Grande abraço
Moran

Monique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adrianne Monique disse...

Olá Profº Moran, o texto está riquíssimo (assim como os demais escritos), realmente concordo quando cita que essa escola existe em parte. E justamente esta assertiva enfatiza a importância do papel do professor e do quadro humano responsável pela gestão e desenvolvimento educacional, em prol de uma escola autônoma e inovadora que priorize o aluno, o ensino, a aprendizagem, as novas tecnologias, os pais, a comunidade e todos os demais elementos pertinentes e responsáveis para que a educação desenvolva-se com excelência. Por ser tão perfeita, a escola descrita torna-se utópica, mas, enquanto educadores, não podemos deixar de fazer o nosso papel e -seguindo estes passos- concretizarmos esta escola e/ou senão chegar o mais próximo possível desta. Saudações. Adrianne Monique.

Moran disse...

Cara Adrianne:
Bonitas suas palavras, que mostram a tensão entre a utopia e a consecução parcial dela no dia a dia. É importante não desanimar, diante de obstáculos, burocracia, críticas. Bom trabalho.
Abraço
Moran

Reflexões sobre EAD disse...

Caro professor Moran,

acredito que para a construção de uma escola nova precisamos de todos estes itens que o senhor descreveu, mas para mim o mais importante, o eixo norteador, são as pessoas, a equipe: professores, coordenadores, diretores, enfim educadores. Entretanto, pelo que tenho vivenciado, percebo que infelizmente, os gestores das instituições de ensino, principalmente das grandes instituições, não estão muito preocupados com o seu pessoal. Os professores, os tutores com muitos alunos por sala para orientar, não são valorizados e muito menos reconhecidos. Os coordenadores e diretores são sobrecarregados de serviço e cobrança por resultados financeiros, tornando impossível o trabalho em equipe, quanto mais a formação de equipes duradouras, pois a rotatividade do pessoal é grande, já que não agüentam a pressão. Desta forma, fico a me perguntar, assim como a colega Leila, será que realmente todos querem essa nova escola??
Assim, como o senhor, também quero contribuir com a construção desta nova escola, mas confesso que venho perdendo força e motivação para continuar nesta luta.
Saudações
Ana Paula Beer

Moran disse...

Ana Paula:
Concordo com você em que não se valoriza suficientemente o trabalho dos docentes e às vezes há um desequilíbrio entre o econômico e o acadêmico. É um processo longo de reequilíbrio de valores, opções, expectativas. Não desanime. Faça o melhor que lhe for possível no momento presente.
Abraço
Moran

Professora Adriana disse...

Estimado Prof. Moran:
Tenho baseado boa parte das discussões do grupo de pesquisa que oriento nas suas ideias, pois nos identificamos com sua visão inovadora, sem porém perder o horizonte humano. Gostei muito dessa ideia de "educação humanista inovadora", trazendo em uma perspectiva articulada a possibilidade de ambiência institucional/docente/humano-tecnológica, conceitos que temos desenvolvido na Educação Básica e na Educação Superior. Como diria Paulo Freire, a "utopia inédito-viável" pode ser e já está sendo construída. Um forte abraço desde os pampas gaúchos,
Adriana

Tia da creche disse...

Um escola pluralista é o sonho de todo educador