segunda-feira, 18 de junho de 2007

A Escola é pouco atraente!


"A escola é pouco atraente. Segundo pesquisa do INEP, o que afasta crianças entre a 5ª e a 8ª série é mais o desinteresse (40%) do que a necessidade de trabalhar (17%)[1]. A escola, principalmente a partir da quinta série, fica fragmentada, compartimentalizada. As disciplinas estão soltas, falam de assuntos sem ligação direta com a vida do aluno. Muitos professores estão desmotivados. A infra-estrutura está bastante comprometida, o acesso real da maior parte dos alunos à Internet é muito insatisfatório. No ensino superior, metade dos alunos não termina seu curso, não se forma. Com uma escola assim e, ao mesmo tempo, com o rápido avanço da sociedade rumo à sociedade do conhecimento, o distanciamento entre a escola necessária e a real vai ficando dramático.
Se tantos jovens desistem do ensino médio e da faculdade, isso comprova que a escola e a universidade precisam de uma forte sacudida, de arejamento, de um choque. Alunos que não gostam de pesquisar, que não aprendem a se expressar coerentemente e que não estão conectados ao mundo virtual não têm a mínima chance profissional e cidadã enquanto esse quadro não mudar.
Saber pesquisar, escolher, comparar e produzir novas sínteses, individualmente e em grupo, é fundamental para poder ter chances na nova sociedade que estamos construindo".

[1] INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Feita em 2005 e publicada em 2007.

Estes são os dois primeiros parágrafos do meu livro "A educação que desejamos". Você concorda com esta visão? A escola é pouco atraente? Por que?

10 comentários:

professormariva disse...

Concordo plenamente e acredito que enquanto não houver uma valorização efetiva da carreira do magistério por conta da sociedade e principalmente pelos governantes e membros dos poderes esse quadro tende para maior agravamento. Não existe incentivo para o professor da Edcuação Básica investir em pesquisa, mudar sua prática. Temos que conviver com uma carga horária em sala de aula elevada e o tempo que resta é para corrigir e preparar atividades, pouco tempo sobra para estudo,estou considerando inclusive os finais de semana. Os congressos são caríssimos não existe incentivo financeiro, como aprender sozinho? Hoje contamos com a internet que diminui o impacto dos custos com materiais e até contatos, mas precisamos avançar. Sou de Itabuna, interior da Bahia e percebo que se não houver uma revolução na educação, principalmente na maneira como nossos governantes encaram esta, a situação tende a piorar. Mesmo assim, não podemos desanimar, vamos continuar lutando, mesmo que de forma muitas vezes isolada.

Marivaldo Mendonça
Colégio da Polícia Militar -ACM
Itabuna (Ba)

Fátima disse...

Concordo, Moran, porque trabalho em escolas municipais e gostaria de usar novas tecnologias, porém não temos muito tempo para planejar. Meus alunos não foram acostumados a perguntar, nem a pensar. Incrível, mas somente ficam atentos "copiando e colando"!
Por que somos de uma época sem Internet e avançamos?
Ainda penso que nada pode substituir o prazer e o hábito da leitura de livros de papel como esse que você está lançando.
Sucesso!
Abraços.

Moran disse...

Marivaldo:
Concordo com a análise das dificuldades. É importante, mesmo assim, encontrar o caminho pessoal da mudança, que não depende só das condições estruturais mas também da atitude pessoal de busca da inovação. E isso depende muito de cada um de nós.
Abraço
Moran

Moran disse...

Fátima:
Preocupo-me quando nas escolas os alunos não se sentem motivados a pesquisar. Creio que estamos falhando no essencial. Se os alunos copiam e colam, nosso trabalho educacional não está focando a aprendizagem significativa. As crianças são curiosas, por que na escola muitas perdem essa curiosidade? É um claro sinal de problemas que temos.
Grande abraço
Moran

Simone disse...

Moran

Sou educadora e muito me preocupo em tentar encontar uma "fórmula mágica" que motive o aluno.
Pensando em quais sejam os interesses dos alunos (crianças, adolescentes e jovens)acredito que mataremos a grande charada.

O que crianças gostam?
Resposta: de brincar, de descobrir,de arriscar, de serem autônomas.

O que adolescentes e jovens gostam?
Resposta: de namorar, de consumir, de fazerem suas próprias escolhas (autonomia).

Veja a crescente atração que jovens e adolescentes têm com a mais recente criação virtual "Second Life". Nestes ambientes, eles se divertem enquanto fantasiam serem pessoas que ainda não são: livres, auto-sustentáveis e distantes das atenções e controles dos pais/professores.

Será que o caminho não é este?
A criação de "fantasias" que levem o aluno a produzir de verdade dentro das escolas e universidades?

O que tornaria o ambiente escolar atraente? O que faria com que alunos não quisessem perder uma aula sequer?

Ainda estou refletindo e continuo em busca de respostas mais claras, mas penso que o caminho seja este.

Um abraço
Simone

BETH DEMARCO disse...

Concordo que a escola atual não oferece atrativos ao educando e nem ao educador.A maioria dos docentes brasileiros mostram-se abertos a mudanças e isso é positivo. A rapidez do avanço tecnológico muitas vezes utilizadas nas escolas(com freqüência nas escolas particulares) assusta aos professores. Essas mudanças exigem habilidades e competências dos professores que se tornam inevitáveis para transformar uma sala de aula num local atraente e que leve o aluno à independência intelectual, capacitando-os a crítica e a reflexão. Acredito que necessitamos de políticas educacionais efetivas para que o professor seja valorizado e medidas que efetivamente lhes possibilite adquirir com freqüência e facilidade aperfeiçoamento, carga horárias que lhes dê tempo para estudar e que não dispôe, turmas com um número reduzidos de alunos e um salário que o valorize, suportes necessários de infra-estrutura física, material, ou os equipamentos que poderiam ao menos possibilitar alguma chance de sucesso.

Anônimo disse...

Prof.Moran:
Somos seus alunos do curso da SME de Barretos. Concordamos com as mudanças da nova tecnologia em sala de aula, desde que tenhamos ambientes favoráveis para esta implementação de fato. Gostaríamos que nos desse sugestões de como trabalhar com a tecnologia para crianças de 1.ª a 4.ª série?
Um abraço, Debora e Geni.

Wagner Barretos disse...

Realmente a escola é pouco atraente. Os alunos recebem uma gama de estímulos externos à escola muito mais atraentes e/ou significativos. A escola nao acompanha a evolução da sociedade. Para esta instituição se fortalecer é necessário q se conecte ao mundo, que use novas linguagens, que fique por dentro da vida do aluno, saiba seus interesses e necessidades. É preciso que escola também possua uma boa base técnica, no mínimo um laboratório de informática conectado a internet.

Anônimo disse...

Somos suas alunas da Secretaria Municipal de Barretos, concordamos com esta afirmativa.Coordenamos um projeto que objetiva mostrar aos nossos alunos o que faz com que a escola se torne atraente.Está sendo positivo. Maria Alice e Renata.

Marta e Karla disse...

Prof.Moran

Sem querer generalizar, mas comentar o que acontece comigo e com muitos colegas de trabalho...o comodismo acaba por nos imobilizar e faz com que busquemos a cada dia mais desculpas para nossa inércia.

Marta e Karla
02/07/07