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Cuidar dos mais frágeis

Muitas pessoas, por muitas razões, se perdem ao longo da vida . Não conseguem equilibrar sua vida pessoal e profissional, têm dificuldades emocionais sérias e persistentes. São pessoas que não produzem o esperado, que perdem prazos, que passam tempos fora de circulação, que podem tornar-se agressivos. E vão ficando pelo caminho, normalmente com os problemas ainda mais agravados pela solidão, pelo abandono e por recorrer a paliativos como o álcool e outras drogas, que cada vez resolvem menos, mas das quais fica mais difícil livrar-se. Quantas mais dificuldades uma pessoa sente, mais difícil costuma ser o ter força para superá-las . A sociedade privilegia os favorecidos econômica, intelectual e emocionalmente e esquece os marginalizados, os que têm problemas, os que estão fora da normalidade. Há inúmeros marginalizados economicamente: os pobres, os desempregados, os que não têm estudo. Os marginalizados se tornam um peso. Por isso ficam à margem, ficam desamparados, abandonados a s...

Menos tutela e mais educação autônoma

Muitas pessoas não conseguem pensar e agir por si mesmas. Dependem das opiniões alheias; estão atreladas emocionalmente a figuras paternalistas familiares, religiosas, midiáticas ou políticas. Quanto mais paternalismo nas relações sociais, quanto mais tutela necessitamos, menos aprendemos a ser livres, a evoluir como pessoas e como sociedade. A educação integral e de qualidade é um caminho fundamental para conseguir crescer, evoluir, libertar-nos das injunções da infância, da dependência de modelos herdados, da necessidade de tutela permanente. A educação de qualidade nos fornece instrumentos para tomar nossas decisões, para fazer melhores escolhas, para não sermos manipulados por outras pessoas, por mais importantes que tenham sido na nossa vida. Não podemos contentar-nos em preparar pessoas para o mercado de trabalho, mas para a vida, para serem melhores cidadãos e realizar-se em todas as dimensões. Quando vemos muitas pessoas que passaram pela escola e se transformaram em adulto...

Propostas para melhorar nossa educação a distância

A educação a distância está modificando todas as formas de ensino e aprendizagem, inclusive as presenciais, que utilizarão cada vez mais metodologias semi-presenciais, flexibilizando a necessidade de presença física, reorganizando os espaços e tempos, as mídias, as linguagens e os processos. EAD tem significados muito variados, que respondem a concepções e necessidades distintas. Podemos avançar muito na personalização das propostas, mais abertas, com forte aprendizagem colaborativa, em redes flexíveis e respeito ao caminho de cada um. Na EAD o aluno poderia ter seu orientador, como acontece na pós-graduação. Esse orientador seria o principal interlocutor responsável pelo percurso do aluno, com ele definiria as disciplinas mais adequadas, as atividades mais pertinentes, os projetos mais relevantes. Teremos cursos mais síncronos e outros mais assíncronos, alguns com muita interação e outros com roteiros predeterminados, uns com mais momentos presenciais enquanto que outros acontecem na...

A educação em tempos do Twitter

Com todos os recursos móveis e em rede, muitas questões nos desafiam como educadores: 1. O papel do professor muda cada vez mais: Ensina menos, orienta mais, articula melhor. Ele se aproxima mais dos alunos, se movimenta mais entre eles. 2. Os tempos das aulas se tornam mais densos, para realizar atividades interessantes, que possam ser pesquisadas, produzidas, apresentadas e avaliadas no mesmo espaço e tempo. São inviáveis as aulas de 50 minutos. 3. As aulas não se resumem só aos momentos presenciais. Aumenta a integração com os ambientes digitais, com os ambientes colaborativos, com as tecnologias simples, fáceis, intuitivas. 4. Os espaços se multiplicam, mesmo sem sair do lugar (múltiplas atividades diferenciadas na mesma sala). O conteúdo pode ser disponibilizado digitalmente. Predominam as atividades em tempo real interessantes, desafios, jogos, comunicação com outros grupos. 5. Há uma exigência de maior planejamento pelo professor de atividades diferenciadas, focadas em experiênc...

Ler no meio do caos

Num mundo tão complexo, é necessário aprender a ler de muitas formas, de perspectivas diferentes, para poder entender o que se passa sob a superfície movediça dos múltiplos e incessantes acontecimentos. É fascinante encontrar sentido no aparente caos, captar a dinâmica dos movimentos, o que é permanente por trás da mutação. Esse é um dos desafios de hoje: conseguir acompanhar as múltiplas interfaces da informação e mergulhar nas suas entrelinhas, nas profundezas dos significados ocultos e escorregadios. Ler depende, além do domínio técnico, de ter uma atitude curiosa diante da vida, do mundo, das pessoas. A curiosidade nos motiva a ler, a conhecer, a pesquisar. Ler é um prazer quando queremos saber mais, investigar mais, descobrir ângulos diferentes, indo além do óbvio. Quanto mais informação disponível, mais complexo se torna o ato de ler. Primeiro, porque precisamos escolher o tempo todo, eliminando a maior parte do que se apresenta à nossa frente. Sempre estaremos acometidos pela dú...

Entre a criatividade e a acomodação na educação

As escolas estão procurando atender a novas demandas, mas as mudanças são, em geral, periféricas, pontuais, parciais. Criatividade é um processo que se constrói, em parte individualmente, mas na maior parte em grupo, a partir de propostas desafiadoras, de estímulos institucionais para a busca do que ainda não está consolidado, desenvolvendo formas de olhar diferenciadas, a partir de perspectivas contrastantes. As escolas têm um compromisso com conservar o melhor do passado, focar o presente e preparar para o futuro. O seu discurso é inovador, mas a organização e a prática pedagógica são pouco arrojadas. Predomina uma visão conservadora, repetindo o que está consolidado, o que não oferece risco nem grandes tensões. O formato disciplinar, a organização rígida de horários e espaços contribuem para que predomine o previsível sobre o inesperado. A formação docente foca mais os modelos prontos do que os experimentais. O sucesso dos modelos pedagógicos de grandes grupos nacionais, que org...

O grande projeto da nossa vida

O grande projeto da nossa vida é construir-nos como pessoas realizadas, interessantes, produtivas, afetivas. Uma construção contínua, com contradições, mas constante nesse objetivo maior que é humanizar-nos, evoluir sempre mais, fazer melhores escolhas, viver uma vida mais livre e realizadora. É fascinante aprender os caminhos para a realização afetiva e profissional, para o equilíbrio entre o pessoal e o social, para fazer escolhas mais significativas em cada etapa das nossas vidas. Observo que muitos procuram objetivos bem diferentes. Cada um deles pode ser interessante. Mas se falta essa dimensão integradora, poderemos crescer de forma desequilibrada, torta. É fascinante encontrar pessoas que transmitem paz, alegria ao seu redor, cujo contato inspira, estimula, ensina. Entristece, por outro lado, conviver com tantas pessoas desbalanceadas, que cresceram muito em algumas dimensões e tão pouco em outras. É utopia ser feliz, viver em paz? Não é utopia, é um processo de construção const...