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A necessária e complexa convivência entre famílias e escolas

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 José Moran Escola e famílias são parceiros interdependes no processo de educar crianças e jovens. Por isso, precisam estar alinhados, próximos e colaborar de todas as formas possíveis para obter os melhores resultados. Como vivemos em uma sociedade multicultural, com visões de mundo muito diferentes e, com frequência, posicionamentos acirrados, o número de atritos tem aumentado. Nos anos da pandemia a escola ficou muito mais visível para os pais através das plataformas online. Muitos pais valorizaram a complexidade do trabalho docente e a quantidade de ferramentas e estratégias disponíveis para engajar os estudantes. Outros pais, no entanto, se sentiram incomodados porque professores falavam sobre temas delicados, que conflitavam com seus valores e discordaram da forma como foram trabalhados pelos professores. A escola se tornou mais visível para a comunidade, com mais apoio de uns e maiores questionamentos de outros. As famílias hoje têm diversas configurações e dinâmicas – f...

O que aprendi com os alunos e o que está mudando hoje

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José Moran Fui docente a maior parte da minha vida, mesmo que inicialmente não fosse essa minha intenção. Minha experiência principal como professor aconteceu na transição do período analógico para o digital (década de setenta aos primeiros anos deste século). Tentei acompanhar as mudanças e incorporar as tecnologias da melhor forma possível. Minha experiência principal é no Ensino Superior, primeiro privado, depois público, mas também trabalhei alguns anos com alunos do final do fundamental 2. Algumas coisas que aprendi Aprendi que é complexo ensinar para alunos diferentes, para muitas turmas, principalmente quando você trabalha em mais de uma instituição, o que acontece com boa parte dos docentes no Brasil. Durante muitos anos trabalhei com muitas turmas, algumas grandes, e sobrava pouco tempo para o planejamento, o acompanhamento e para a avaliação. A sensação que eu tinha era a de que ficava devendo e poderia ter feito um trabalho melhor. Em algumas disciplinas me sentia ...

A educação pelo afeto é transformadora

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 José Moran A educação pelo afeto nos transforma. O afeto é como o oxigênio que respiramos: torna tudo mais leve, fácil, viável. A vida fica insuportável se não está envolta em uma atmosfera de apoio, acolhimento, aceitação e esperança. Desde a infância até a idade adulta, as experiências afetivas moldam nossa identidade, influenciam as escolhas, determinam os padrões de relacionamento e impactam nossa qualidade de vida. A consciência e a promoção de ambientes afetivos saudáveis são importantes para o desenvolvimento integral ao longo da vida. A qualidade das relações afetivas na família influencia diretamente a formação da autoestima, da confiança e da capacidade de estabelecer relações interpessoais saudáveis ao longo da vida. Os vínculos emocionais são a espinha dorsal das relações familiares, na construção de um processo de pertencimento e de segurança. A afetividade desempenha um papel central no processo de aprendizagem . Estabelecer conexões emocionais positivas na edu...

Educar crianças e jovens para um bom uso do digital

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José Moran   Atualmente, vivemos em um mundo híbrido, fi-digital, com fronteiras mais tênues e crianças e jovens cada vez mais conectados, também no Brasil.  Em 2022, 92% de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos, cerca de 24 milhões, já eram usuários de internet no país, de acordo com a nova edição da TIC Kids Online Brasil, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). 86% possuem perfis em redes sociais. Mais da metade (56%) das crianças e adolescentes usam a internet sem limitação de tempo determinada pelos responsáveis. [1] Crianças e jovens (entre 11 e 17 anos) passam em média quatro horas por dia no celular, seu companheiro constante, principalmente nas redes sociais, como o TikTok . Checam o celular em média 100 vezes por dia e recebem centenas de mensagens. O estudo foi conduzido pela  Common Sense Media  em parceria com a  University of Michigan C.S. Mott Children's Hospital . [2] Essa interconexão entre o mundo físico e o digital tem impact...

A difícil arte de educar os filhos

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  Fui educado em uma família convencional da Espanha, mais controladora do que liberal. Tenho filhos e netos. Como pai, fiz o possível para encontrar o equilíbrio – precário, com frequência -     de educar com carinho e dentro de alguns limites, combinados e regras. Não foi um processo fácil; sempre tentei fazer o melhor, mas hoje percebo as frequentes incoerências e arbitrariedades cometidas. Os pais mais jovens estão educando os filhos de uma outra maneira, com suas vantagens e problemas. Admiro os que convivem mais intimamente com eles, que conversam sobre tudo, que se tornam amigos, que tentam atender às necessidades das crianças. Vejo pais que incentivam que seus filhos tomem suas próprias decisões, suas escolhas (cabelo, roupas, brinquedos, amigos, comidas). Crescem com muita autonomia, são habilidosos, sociáveis. Tem inúmeras oportunidades de se divertir: todo tipo de brinquedos e jogos, físicos e digitais, sozinhos e em grupos. Muitas atividades em parques, espa...