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Transformando as pessoas, para transformar as Escolas

Ensinamos até onde conseguimos aprender. Quando metade dos alunos de ensino médio se evade e não termina o curso, a responsabilidade não é só deles, é de todos nós. Com certeza não estamos oferecendo um projeto pedagógico atraente, não estamos próximos dos alunos, insistimos em modelos autoritários, desconectados com a vida dos estudantes e continuamos ensinando como se tudo estivesse normal. O lema das nossas escolas deveria ser “Nenhum aluno para trás”. O fracasso de tantos alunos, que ficam pelo caminho, é um fracasso coletivo de toda a sociedade. Alunos reprovados, escolas reprovadas. A educação, além das causas estruturais, avança de acordo com o nível de desenvolvimento dos gestores, educadores, pais e da sociedade como um todo. Uma sociedade profundamente imperfeita e desigual tem, como consequência, um sistema educacional imperfeito e desigual. Há um jogo de empurra entre todos. “O problema é o sistema, o Governo”, “são os outros” “eu faço a minha parte”. Há algo profu...

Fazer nossas revoluções possíveis: Aprendendo por experimentação

Como tudo muda aceleradamente, somos cobrados para obter melhores resultados, conseguir metas, inovar sempre. Há uma pressão social constante para sermos mais criativos, empreendedores, excelentes profissionais. A vida combina rotina e mudança. A maior parte de nossa vida é repetição. A repetição nos ajuda a economizar energia, a ter roteiros previsíveis e confortáveis em todos os campos, a sentir-nos seguros. O predomínio da rotina, com o tempo, tende a que nos acomodemos numa zona de conforto e que percamos a ousadia de ir além do básico e de desenvolver muitas das nossas possibilidades. A vida se equilibra entre padrões e mudanças, entre previsibilidade e transformação. Para enfrentar os desafios de crescer, progredir, avançar em todas as dimensões, precisamos combinar bem rotina e experimentação. Sair da rotina, do previsível, nos liberta. Quando nos permitimos experimentar, aprendemos mais, abrimos novos horizontes. Se gostamos de aprender e perseveramos, evoluiremos ma...

Pagamos um alto preço social pela educação deficiente

Pagamos um preço muito alto como sociedade por uma educação deficiente: milhões de pessoas não desenvolvem suas competências básicas, sua autonomia, vivem vidas pouco produtivas e realizadoras. A educação demorou a chegar aos mais pobres e ainda é frágil para a maioria nas questões mais importantes: muitos sabem interpretar textos complexos, fazer contas, pensar pela sua cabeça, ir além do que veem na televisão. Temos uma dívida social de séculos de pouca preocupação com a aprendizagem de qualidade da maior parte da população. A educação de qualidade, além de ensinar a pensar, também pode ensinar a viver. Em muitos casos, a escola não está conseguindo ajudar a pensar crítica e autonomamente; muito menos, a preparar pessoas criativas, empreendedoras e livres. Ela precisa mudar para encantar e abrir os horizontes de crianças e jovens, cada vez mais entusiasmados. É um trabalho complexo, demorado num país imenso. É urgente mudar nosso modelo de ensino muito focado em conteúdos pr...

Educando para uma vida mais plena

A vida nos ensina de muitas formas, o tempo todo. Aprendemos em cada momento com as inúmeras oportunidades que se nos apresentam, com as diferentes pessoas com as que convivemos, com os erros e escolhas que realizamos. A vida pode ser um processo ativo, rico, complexo e desafiador de aprender em todas as dimensões, de realizar-nos sempre mais e que, infelizmente, muitos o desperdiçam. Cada decisão nos ajuda a avançar ou a regredir; o conjunto dos saberes, competências e escolhas contribui para tornar-nos mais livres ou mais dependentes, mais abertos ou mais fechados, mais interessantes ou mais banais. Com as escolhas construímos percursos, trilhas, em ziguezague, com avanços e recuos, paradas e desvios. Construímos com todos esses saberes uma visão de mundo, um sistema de crenças e de valores, que nos ajudam a equilibrar-nos no meio das contradições, a encontrar coerência em escolhas imperfeitas e a rever consequências inesperadas ou contraproducentes. Com o tempo podemos dese...

Tecnologias na Educação. Entrevista com José Moran

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Metodologias ativas, para realizar transformações progressivas e profundas no currículo

As metodologias ativas são caminhos para avançar para um currículo mais flexível, mais centrado no aluno, nas suas necessidades e expectativas. Escolas e universidades realizam essas mudanças de forma progressiva (gradualmente), simultânea (mudanças setoriais avançadas) ou mais profundas (projetos mais amplos de inovação). É um processo longo e complexo, mas inevitável. As organizações educacionais que nos mostram novos caminhos estão experimentando currículos mais flexíveis, mais centrados em que os alunos aprendam a integrar conhecimentos amplos, valores, projeto de vida através de problemas reais, desafios relevantes, jogos, atividades e leituras individuais e em grupo; presenciais e digitais.  A maior parte das escolas e universidades quer mudar, mas está presa na cultura disciplinar transmissiva e paternalista. Como fazer essas transformações, na prática? Não há uma resposta única, mas alguns caminhos fazem mais sentido, dependendo de cada instituição, das condições em que...

Principais diferenciais das escolas mais inovadoras

O que tem em comum as escolas e universidades mais inovadoras? Quais são seus diferenciais? Apesar de terem propostas aparentemente muito diferentes, coincidem em alguns componentes importantes, que apontam caminhos para as demais instituições mais convencionais ou que realizam mudanças de forma mais progressiva. Os principais diferenciais: 1.       Ambientes institucionais acolhedores e abertos à experimentação As instituições educacionais inovadoras são abertas e acolhedoras, interna e externamente;  a comunicação é incentivada e as divergências, possíveis. Todos sentem-se acolhidos, em todos os espaços, momentos e situações, como participantes de um projeto comum e compartilhado, onde podem manifestar-se, interagir, contribuir, questionar. Os espaços físicos e digitais são abertos, compartilhados (entre todos os participantes: gestores, professores, alunos) e também com a comunidade externa. Divulgam-se as melhores práticas e contribuições. Há u...